Dermatologia Clínica

 

Molusco contagioso

O QUE É?

O molusco contagioso é a manifestação na pele de uma infecção causada por um poxvírus. É mais comum em crianças, mas pode também acometer adultos.

As lesões geralmente são pequenas, arredondadas, cor da pele ou avermelhadas, com uma umbilicação central.

Por se tratar de uma infecção viral, as lesões tendem a espalhar-se pela pele, através da auto-inoculação.

COMO É FEITO O TRATAMENTO?

O molusco contagioso tende a resolver-se sozinho em alguns meses, conforme a imunidade se encarrega de eliminar o vírus. No entanto, nesse período, as lesões podem se multiplicar gerando angústia nos pacientes, pais, e escolas no caso de crianças.

O tratamento mais eficiente é a curetagem, ou seja, raspagem das lesões com uma cureta. O procedimento é muito pouco doloroso, podendo ser feito apenas com anestésico tópico. Quanto mais precoce a curetagem, menor a chance de disseminação das lesões.

Em raros casos em que a criança não permite a curetagem apenas com anestesia tópica, o procedimento pode ser feito com sedação em centro cirúrgico.

 

Verruga viral e condiloma acuminada

O QUE É?

A verruga viral é uma manifestação na pela da infecção pelo HPV de baixo risco.

As verrugas vulgares são o tipo mais comum. Clinicamente são lesões únicas ou múltiplas, cor da pele, ásperas, podem ter pequenos pontos enegrecidos na superfície e serem dolorosas à pressão, principalmente na região da planta do pé, onde são conhecidas popularmente como “olho de peixe”. Nessas regiões podem ser confundidas com calosidades ou clavus plantares.

As verrugas vulgares são muito comuns em crianças, sendo transmitidas por contato e fômites.

Já na região genital e ânus, as verrugas virais são chamadas de condiloma acuminado e são consideradas doenças de transmissão sexual, geralmente relacionadas ao HPV 6 e 11, subtipos de baixo risco, não relacionados a câncer de colo uterino, pênis e ânus. A transmissão pode ocorrer no contato da mucosa ou pele íntegra com outra pele ou mucosa infectada, com ou sem lesões de condiloma, ou seja, mesmo sem apresentar sinais da infecção pelo HPV, a pessoa pode transmitir o agente viral do condiloma acuminado pela relação sexual desprotegida.

Nesses locais, elas apresentam um aspecto diferente, sendo geralmente mais acastanhadas e macias. O período de incubação do HPV é muito variável. Pode ficar “adormecido” dentro de uma célula por semanas, meses e até anos, sem provocar qualquer sinal ou sintoma da doença. Em média, as verrugas genitais começam a surgir somente de 2 a 8 meses depois do contato com o vírus.

Há ainda outros tipos de verrugas virais, como as planas e as filiformes (formato de folhas).

COMO É FEITO O TRATAMENTO?

Remissão espontânea pode ocorrer em 2/3 das crianças em até 2 anos. Já em adultos, pode levar vários anos. No entanto, é comum a recorrência.

Existem diversos tipos de tratamentos disponíveis para verrugas, variando conforme o tipo, tamanho, localização e efeitos colaterais do tratamento. Para crianças, a capacidade de tolerar o desconforto impacta na seleção do tratamento.

Para verrugas vulgares, pode-se realizar um debastamento, no qual remove-se a camada superficial da pele, afinando-se a verruga, para então aplicar algum método destrutivo, como a crioterapia ou cauterização química.

O uso de cremes com ácido salicílico também é um dos tratamentos com maior evidência de eficácia, juntamente com a crioterapia.

Em alguns casos, como por exemplo nas verrugas filiformes, pode-se cortar a lesão na sua base e queimar a ferida restante para a eliminação do vírus.

Em verrugas planas, que são mais achatadas e menos verrucosas, muitas vezes utiliza-se apenas a crioterapia sobre a lesão. Outra possibilidade são alguns cremes contendo substâncias irritantes à pele, com objetivo de estimular a resposta imune local.

As verrugas genitais também podem sumir espontaneamente através da eliminação do vírus pelo próprio sistema imunológico. Nos casos em que é necessário tratamento, pode-se realizar a cauterização química ou crioterapia e, por vezes, até remoção da lesão sob anestesia local e eletrocoagulação da sua base. É importante lembrar que curar as lesões do HPV não significa que o vírus tenha sido definitivamente eliminado do organismo. Em condições de diminuição da resistência do organismo, o vírus latente pode voltar a multiplicar-se e as lesões clínicas reaparecem. Cabe salientar ainda, que ao diagnóstico de verruga genital, deve-se orientar o parceiro ou parceira a buscar uma avaliação médica, mesmo se não tiver lesões visíveis e não se deve ter relações sexuais enquanto durar o tratamento.

Em todos os casos, por se tratar de uma infecção por um vírus muito comum no ambiente, pode ser necessário diversos ciclos de tratamento para a total eliminação da verruga.

VACINA DE HPV

Atualmente, as vacinas representam a medida mais eficaz para a prevenção contra a infecção pelos tipos mais frequentes do grupo HPV. A bivalente imuniza contra os tipos 16 e 18 (subtipos de alto risco, mais relacionados ao câncer); a quadrivalente, contra os tipos 6, 11, 16 e 18. São necessárias 2 doses da vacina, com intervalo de 6 meses entre elas.

A vacina quadrivalente é distribuída gratuitamente pelo SUS para meninas de 9 a 14 anos, para meninos de 11 a 14 anos, para pessoas de 9 a 26 anos com HIV/Aids e para pacientes oncológicos ou transplantados (este último grupo precisa de prescrição médica para vacinar-se e teve tomar três doses da vacina). Fora dessas faixas etárias pode-se obter a vacina em centros de vacinação particulares, porém não se é rotineiramente recomendado, uma vez que a maioria das pessoas em idade sexualmente ativa já teve contato com o vírus do HPV.

O uso de preservativos, no entanto, não deixa de ser necessário, pois diminui o risco de contágio não apenas do HPV, mas também de outras infecções de transmissão sexual.

 

ATENÇÃO

Muitas lesões que os pacientes acreditam ser verrugas, não são. Assim, tentar tratar uma “verruga” em casa, sem o diagnóstico do médico pode ser extremamente perigoso. Existem inúmeras lesões dermatológicas parecidas com verrugas, como cânceres de pele, que apenas o médico dermatologista poderá diferenciar. Nestes casos, o atraso no diagnóstico e tratamento pode levar a uma necessidade de tratamento maior, mais complexo, com mais sequelas e, por vezes, disseminação do câncer.

Há ainda o risco de queimaduras, infecções e cicatrizes com o tratamento inadequado.

Nota-se ainda que, como a verruga pode sarar sozinha, receitas caseiras de tratamento dessas lesões são populares, mas o ideal é procurar o médico dermatologista e fazer o diagnóstico correto.

 

Calosidade Plantar e Clavus

O QUE SÃO?

Calosidades e clavus estão entre as afecções cutâneas mais comuns e, por localizarem-se nos pés, podem ser fonte de desconforto, dor e dificuldade de marcha.

Os calos são um espessamento difuso na camada mais externa da pele, em resposta a fricção ou pressão recorrente. Já os clavus se desenvolvem de maneira similar, mas diferem das calosidades por ter um “núcleo” hiperqueratósico e frequentemente doloroso. Os clavus tipicamente ocorrem em pontos de pressão, secundariamente ao uso de sapatos apertados, um esporão ósseo subjacente ou uma marcha inadequada.

Muitas vezes, eles podem ser confundidos com verrugas plantares, porém, ao contrário destas, eles não apresentam pontos enegrecidos em sua superfície.

 

COMO É FEITO O TRATAMENTO?

Ambos, calosidades e clavus, são tratados da mesma maneira.

O tratamento inicia-se com a prevenção, evitando-se sapatos apertados.

Em lesões graves recorrentes, o médico dermatologista pode solicitar radiografia do pé para avaliar anormalidade óssea subjacente e, também, considerar referenciar para consulta ortopédica para adaptação de palmilhas ou indicação de palmilhas rígidas de antepé.

O tratamento ideal para ambos é aplicação de emplastros de ácido salicílico a 40% após raspagem das lesões, com troca diária e remoção da pele branca resultante antes da recolocação do próximo emplastro.

 

Queratose Seborreica

O QUE É?

Tumor benigno comum, comumente pigmentado, e de textura graxenta, mais frequente nos idosos. Podem surgir em qualquer lugar do corpo, mas são mais frequentes na face e tronco superior. Geralmente são assintomáticas, porém podem ser pruriginosas.

COMO É FEITO O TRATAMENTO?

Pode-se realizar remoção com cureta, que deixa uma superfície plana que começa a ser coberta por pele normal em uma semana.

Em alguns casos, podemos realizar aplicação de ácidos, principalmente para lesões grandes superficiais.

As lesões geralmente recorrem. Não tendem a sumir espontaneamente e novas lesões podem surgir durante anos.

 

Urticária

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Acne

O QUE É?

A acne é uma das doenças mais frequentes da dermatologia. É uma doença da unidade pilossebácea, ou seja, do folículo do pelo e sua glândula de sebo associada.

A acne vulgar ou juvenil inicia-se na puberdade, em quase todos os jovens, de ambos os sexos e acomete mais frequentemente a face e o tronco. Vários fatores têm papel no seu surgimento, como a localização das unidades pilossebáceas, genética, alteração na produção de queratina (proteína que produzida pela pele) dentro do canal do folículo, aumento da secreção do sebo, proliferação bacteriana, fatores emocionais, ciclo menstrual, sudorese.

Em alguns casos, as lesões são muito discretas, apenas com comedos (cravos) e, em outros, as lesões tornam-se mais intensas, inflamatórias, comprometendo a qualidade de vida durante a adolescência e desencadeando ou agravando problemas emocionais.

A acne pode surgir ainda secundariamente ao uso de medicações sistêmicas, como corticoesteróides, vitaminas e antibióticos, e relacionada a uso de produtos oclusivos na pele.

Por fim, em mulheres adultas, a acne pode assumir um padrão da chamada “acne da mulher adulta”.

 

COMO É FEITO O TRATAMENTO?

O tratamento é realizado visando-se equilibrar esses mecanismos envolvidos no desenvolvimento das lesões da acne. A terapêutica é extremamente variada e direcionada conforme a gravidade e tipo de acne.

Para o tratamento da acne, deve-se realizar um cuidado da pele como um todo, e não apenas das lesões pontuais, o que envolve a escolha de produtos de higiene adequados, como sabonetes e loções, fotoprotetores e hidratantes com cosmética apropriada para uma pele com acne, e, é claro, as medicações.

Dentre as medicações, a depender do grau da acne e da resposta do paciente ao tratamento inicial, podem ser utilizadas medicações tópicas - retinóides, antibióticos tópicos e antimicrobianos tópicos – e sistêmicas, como isotretinóina e antibióticos sistêmicos.

Em mulheres, pode-se associar ainda o tratamento com anticoncepcional combinado, conforme desejo e ausência de contra-indicaçõs da paciente, em decisão conjunta com a ginecologia. Em acne da mulher adulta, há ainda, a possibilidade do uso de espironolactona com o objetivo de reduzir a produção de androgênios.

Cabe ainda ressaltar, o papel do consumo de alguns suplementos protéicos e alguns tipos de alimentação que podem influenciar na acne vulgar e da mulher adulta e que devem ser abordados pelo médico dermatologista na consulta.

Na ausência de tratamento adequado, a acne vulgar persiste, em geral, até o final da adolescência e, pode manter-se com algumas lesões isoladas durante muitos anos. O retardo no tratamento ou tratamentos inadequado deixam cicatrizes inestéticas e de difícil tratamento.